2019 capa

Olá, 2019.

Você chegou?

É você mesmo?

Já posso abrir os olhos?

Desculpe-me pelas perguntas, mas é porque eu sou uma das sobreviventes do seu antecessor, àquele outro ano terminado em 8 que também não terminou.

Na confusão, nem me apresentei, sou Luciana, e venho acompanhando o tempo desde 1981. Vocês voam, 2019, impressionante. Mas não estou aqui para saudosismos, vamos falar de nós dois que é o que me importa agora.

Olha, sei que tu já começaste forte. Teu dia 1° já vem desunindo o Brasil desde o ano passado. Mas vou torcer pra que dê certo, apesar de que minha torcida não muda muita coisa, mas é bem verdade que tô meio sem forças para o que anda dando errado. Então, torço. meu rouca, meio enjoada, mas torço.

Ok! Política agora não. Ainda estamos até de ressaca da virada, né? Sorry! É porque a televisão fala alto demais que aquele coiso tá subindo a rampa e vai me governar pelos próximos anos e eu tô com medo. Sabe chefe ruim, chefe chato, chefe que te intimida e acua? Pois é, mas vou mudar de assunto.

Falando em ressaca, pode mandar. Não elas, claro, mas os encontros. Gente querida, gente que não vejo há tempos, gente nova – AMIZADE. Quero motivos para brindar, ao menos, de 15 em 15 dias que é pra recarregar a cota de esperança que o tal infinito do ano passado carregou. E por falar em brinde, mande happy hours. Isso mesmo, pode mandar TRABALHO: reuniões, boas ideias, projetos interessantes, gente que muda o entorno pra melhor e fluxo de caixa, óbvio.

Tudo bem, nem só de bebida pode viver o ser humano, vamos equilibrar, me mande SAÚDE. “Pra nós tudin”, SAÚDE. Eu malho daqui, evito açúcar refinado e fritura e você, daí, colabora com os check ups dentro das taxas de normalidade, combinado? Já que ouvi você dizer sim, vamos falar das viagens?

Uma daquelas com os meus pais que são as melhores companhias que eu poderia ter nessa vida e eu também tô querendo voltar à Noronha no meu niver, pode ser? É que na ponta esquerda da praia da Conceição tinha uma Iemanjá e eu orei lá no dia 30. Disse que voltaria para agradecer as graças que pretendo alcançar durante o seu período de atuação, 2019. Se você for razoável comigo, eu te prometo o sol e muito, mas muito banho de mar e cerveja. Ops! O assunto sobre bebida tinha ficado nos primeiros parágrafos.

Mas agora falando sério. Não que tudo acima não seja seríssimo, 2019, mas agora é mais. Me dá os meus, por favor. Não deixa ninguém brigar e nem adoecer perto de mim, não. É triste demais e eu não aguento mais. Não deixa ninguém soltar a minha mão. Não deixa as pessoas serem cruéis, grosseiras, ou insensíveis comigo, nem com os meus, nem com ninguém. Ajuda a diminuir o racismo, a desigualdade social, a homofobia e a falta de empatia que a violência vai diminuindo naturalmente, creio muito nisso. Faz a vida daquela menina da minha rua melhorar e faz aquele revólver nunca mais apontar para a minha barriga.

Me faz SORRIR, 2019, tira de mim metade dessas linhas que expressam angústia e medo. Me deixa ser àquela leve, ingênua, sonhadora. Não me faz pensar demais… Que tal àquela Lu de 2013 que se jogava e depois perguntava aonde estava caindo? Não que eu queria a impulsividade de outrora, sofri demais, mas tô querendo a OUSADIA.

Me deixa pisar firme nos teus dias, me deixa acreditar em ti, me deixa te viver devagar porque o Nelsinho já vai fazer três anos em teu Maio e amadurece todo santo dia e eu tô tentando não deixar escapar nenhum detalhe. Sabe o que ele disse ontem? Que ele era o amor da “Tia Iú”. Quem que “guenta” com essas fofices??? Não tenha pressa, 2019.

Eu tô aqui toda tua, entregue, ainda que cheia me receio de criar planos. E nem adianta me odiar como fez o teu velho colega, porque eu tô que nem Belchior:

“Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro”.

Você vai ter que me querer!

Feliz, 2019!

PS. Escrevi esse texto no dia 30 e, sem pensar nele, no dia 1° deixei na areia da praia o que queria para o meu 2019. Escrevi SAÚDE, SUCESSO (trabalho), AMIZADE e OUSADIA. Percebi, passando o texto a limpo, que tava tudo aí, até destaquei em caixa alta. Oba, pelo menos coerente eu já começo 2019.

2 Comentários

  1. tia lucia

    que tal esquecer o medo? Ele é bem cruel…a vida é maravilhosa….um dia por vez…uma boa gargalhada e sem medo de ser feliz. loveyou.

    1. Luciana Targino

      “Um dia por vez e uma boa gargalhada”. Quero só isso mesmo! Bjs, minha tia, com amor.

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