a festa da firrrma

 A festa da Firrrma.
Faz dois anos e meio que eu deixei o mercado de trabalho. Não, não estou num período sabático, até porque, estes duram, no mais tardar, um ano. 
Quer dizer, posso até dizer que estou, se a metáfora for o anti- escritório, esse ser de luz fria, móveis cinza, cores totalmente fora da paleta Pantone e, pior, com temperaturas glaciais que sempre congelaram meus miolos e não me permitiam produzir.

Produzir, essa palavrinha que parece ditar o sentido dos nossos dias na terra. Muito mais do que sorrir, do que curtir, do que ser feliz. Você só é alguém se estiver produzindo, ainda que esteja fingindo. Então, mãos à obra.

Bem, uma vez que resolvi entrar nesse tema polêmico, a Festa da FirrRma, quero deixar muito claro que não estou desmerecendo o esforço e nem o trabalho de ninguém e que eu sei da quantidade de pessoas sem opção, por enquanto, de sair da firma e, portanto, aceita. Quer dizer, tem gente que rompe e encontra outros meios, mesmo com toda dificuldade e, por vezes, trabalhando até mais. Mas essa reflexão eu faço há anos, desde quando eu trabalhava em firrrmas. Me incomoda o tanto de tempo útil é destinado a algo que não é nosso de fato e nem o mais importante que temos. 8, 12, 14 horas por dia longe dos nossos. Tem gente que gosta, eu não. Certa vez, uma amiga de férias me falou: – Lu, eu nem sabia que lá em casa tinha cheiro de café toda tarde. Isso me marcou tanto. Equilíbrio, seria lindo se as empresas pudessem encontrar esse equilíbrio e não tirar de nós nossos melhores momentos.

Feitas as considerações, vou seguir.

Tô na luta, mas fazendo o que AMO. E isso pode até soar lugar comum, parece frase de blogueira que a gente nem sabe direito o que elas fazem, a não ser servirem de outdoor ambulante de marcas famosas, ou não, depende da sua quantidade de seguidores e engajamento no Instagram. Aliás, esses números valem mais do que bitcoin, se é que bitcoins valem alguma coisa. 

Acontece que ter uma firrrma pra chamar de sua, ainda que ela esteja muito longe de ser sua e que você venda a alma a ela e que ela, no dia em que achar por bem, te manda embora sem nem te dar um abraço, ainda assim, tem suas vantagens. Ou sua vantagem, acho que é só uma mesmo. Não, não estou falando para você que é dono e que promove os encontros com camisa igual pra todos com a #missão #valor e #visão. Tô falando para quem é funcionária, para ela, talvez a vantagem seja só uma mesmo. Duas, vai, se o salário for razoável, o que quase sempre não é, não é mesmo? Mulher ainda ganha menos…

Aguentar mau humor do patrão, ter que usar roupa de escritório- terninho e scarpan… acho cafona, sorry-, ter de entrar com o sol gostoso e não vê-lo se por, ter de fingir pra meio mundo que você realmente leva aqueles missão, valor e visão como filosofia de vida, sendo que você só queria mesmo era estar na praia, ou “dengando” seu filho de dois aninhos que, a essa hora, faz cada gracinha que a babá te conta… Nem te conto. Pior é quando adoece, porque dar remédio todo mundo sabe dar, mas colo de mãe… só mãe.

Calma, é uma mensagem positiva, afinal, semana que vem é Natal. Pois sim, a única vantagem nessa história, a meu ver, é a Festa da firrrma.

É que eu AMO essa época de final de ano, de Natal, de encontros, de “confras”. Minha timeline ta cheia de patroa dizendo q trabalha com a melhor equipe do mundo e as funcionárias nunca estão no mesmo patamar de entusiasmo. Aquele único dia, o do Natal da firrrma, que “senhor” e “escravo” sentam na mesma mesa, comem a mesma comida e podem bicar uma cerveja juntos, ao lado do chefe, que finge pertencer àquele lugar, mas não vê a hora daquilo acabar, aquela bateção de selfies pra ir parar numas quarenta timelines. Sei como é.

Sei bem como é. Já trabalhei numa empresa que demitiu minha chefe na hora do almoço. Ela foi pra casa almoçar e voltou com a carta de demissão em cima da mesa dela. Sem nem aviso prévio. Para ela? Doeu pra burro, mas pergunta como estão as coisas hoje. Foi um livramento. A coitada era sugada até a alma e, pá!, ninguém tava nem aí.

Nossa, como eu tô amarga. Eu comecei essa crônica porque a época do ano que eu mais amo é a de Natal, porque eu amo as “confras” de Natal, só que, como trabalho só, não tenho festa da firrrma. Nenhuma, nem aquelas pra gente beber demais e dar vexame na frente da diretoria e se arrepender por ter sido tão intenso em uma noite, quando não perde o emprego, né?, porque tem gente que vai muito além e se ferra.

Não tenho essa turma do trabalho que, fora dali, é uma delícia conviver. Esses amigos que muitos levam para a vida, já que passam mais tempo juntos do que marido e mulher. Não tenho, e bem que eu gostaria de ter

Ai não, pera, eu gostaria de ter a turma, o chopp, a “confra”, mas o preço é alto demais. Já paguei com sábados domingos e feriados olhando para planilhas e mais planilhas de Excel para saber quantas misturas para bolo a equipe tinha vendido. Também dei o troco quando aumentei o tamanho da dor de ouvido para ir pra Jeri com toda a minha família.

É, depois de tudo o que eu escrevi acima, vou me contentar as minhas confraternizações entre amigos e família mesmo. Sigo trabalhando só. Mas podem me contratar, sou free-la e entrego tudo antes do prazo. Não estar no “sistema” não quer dizer que você não seja trabalhadora, só quer dizer mesmo que você encontrou uma forma feliz de ganhar dinheiro. E olhe, procurando tem, viu?

Todo mundo tem um talento do qual alguém precisa (#ficaadica). Descubra o seu e FELIZ NATAL!!! 

BOAS FESTAS!

Bjs, Lu

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