2021

Alô, alô, mundo: 2021 chegou!

(Para ler esta “conversa” ouvindo Rita Lee “Alô, alô marciano”)

Alô, alô, mundo!

Estou falando daqui de 2021. Sim, sim, acreditem. Sobrevivi. Sobrevivemos, aliás, eu e quem está lendo isso agora. Sim, lá de março parecia que esse ano não chegaria nunca. Eu mesma nem acredito que estou aqui. Parece que pulei um abismo com fogo e dragões toda hora tentando puxar minha perna. Aqui do outro lado? Aqui do outro lado pelo menos tem mais esperança. Sabe como é, né?, ano novo é como renascimento, li ontem em um texto na Folha que citava a Hannah Arendt. Sim, desse lado de cá do abismo tem vacina. Não, não tomei ainda. Vai demorar pra mim. Vai demorar pra geral no Brasil porque o presidente é um psicopata, mas vai chegar, com fé vai. Já até marcaram o Carnaval pra Julho, eu acho que não vai rolar, mas todos os meus poros, purpurinas e glitters estamos torcendo pra que eu esteja enganada. Ah, você leu meus pensamentos, né? Pois é, estou ensaiando sair de Fortaleza para um raio de 2h de distância. Tomara que o vírus não me ache nessa travessia. Só tô querendo um banho de mar tranquilo e poder ver de longe uma gente querida que veio de fora. Pois é, não me aglomero, tenho horror, mas de longe, né?, pode ser que dê certo. As decisões do ano passado? É? Trouxe tudo pra esse, não dava pra decidir nada no ano passado, era tudo muito sofrido, doído, aí eu achei melhor não decidir, ir levando, sabe?, até as coisas melhorarem. Decidir qualquer coisa sem poder ir pra um bar depois tomar uma cerveja gelada que seja e ouvir um samba-canção-dor-de-cotovelo não vale. Melhor empurrar com a barriga. Barriga essa que sabe-se lá como eu não ganhei depois de passar um ano todinho bebendo. Disse ao meu pai que enquanto não tivesse vacina, não deixasse faltar o vinho lá em casa. Em tempos de pandemia só vai bêbada, colega. Mas daqui desse lado do abismo é estranhamente bom. Não que as coisas tenham mudado, nada mudou, mas mudou tudo, porque mudou dentro. Calma, calma, eu continuo usando máscara e álcool em gel, não se preocupe, mas mudou dentro, como eu te disse. Parece que brotou vida de novo, desanuviou um pouco, sabe como é? Como te falei, aqui tem esperança. Porque vai ter vacina, porque vai ter carnaval depois, porque vai ter o Natal da minha família com certeza no final do ano, porque eu devo ir ao Rio de Janeiro ainda esse ano, porque acho que a vida vai andar. Tô doida que a vida ande, sabe? Isso de a vida da gente ficar muito limitada, a gente acaba depositando a felicidade nos outros, a gente perde um pouco das rédeas e, quando dá fé, tá sofrendo. Ruim demais. Eu gostava era quando eu podia andar igual a uma barata tonta, cheia de vontades e medos, mas decidindo, correndo atrás. Ainda não tô podendo me expandir tanto, mas, sei que é aqui, em 2021 que eu vou poder e isso me faz respirar de novo. Então, não sei se encomendaram as seringas, não. Não, não, parece que comeram mosca por aqui no Brasil. Desde 2018 a gente só come mosca, mas há quem negue. Mas a correnteza da ciência é forte e a do bem também, você vai ver. Vai ficar tudo bem e nós vamos fazer um carnaval igual aquele do Rio de 1919 depois da pandemia da gripe Espanhola. Nós vamos pra rua, nós vamos à forra porque a gente resiste. Sim, a luta ainda é grande. Mas é como te falei, do lado de cá do abismo tem esperança.

Beijo pra você também. Daqui a pouco a gente se encontra. Abraço – beeeeeeeem apertado – mas só daqui a pouco.

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