amar

Amar. E agora?

Agora que eu resolvi amar de novo, pra onde endereço o amor?

Qual o endereço do amor?

Onde mora o meu amor?

Não, não, não tô pedindo o endereço de ninguém. Não é cep. e número do apartamento que eu quero, preciso do destino. Preciso da chegada, do final feliz, daquele momento do abraço que dura a vida.

Não tem rosto, nem jeito, não sei se usa barba isso que tô buscando, se usa óculos, se gordo ou magro, sei nem se tem charme, mas agora que eu decidi que devo amar de novo, quero saber onde me entrego.

A quem me declaro, me derreto e me desnudo? Desnudar-se da alma, quero dizer, mas posso desnudar-me da carne, se me der prazer esse fim.

De onde recomeço? Qual a roupa e a trilha sonora para quem decidiu amar de novo?

Anos hibernando e o gigante, esse imenso todo que é o amor, finalmente acorda de uma eternidade e sente fome. Fome feito larica. Mas e agora? Onde fica essa quitanda? Quanto custa? 

Como faz pra quem, do nada, depois de tantas leituras de Clarice e Chico decide que amar, ainda que desorganizador, arriscado e de sinônimos inexistentes, esse empirismo leviano, sem cilindro de oxigênio, sem boia, sem bote, sem salva-vidas, como faz pra quem achou por bem entrar nessa seara novamente?

Quanto tempo espera? 

Quanto tempo dura? 

Quando é o próximo fim?

Agora, que eu resolvi amar de novo, justo agora, agora que eu resolvi amar de novo, neste instante exato do amor que, não sei de onde, mas resolveu se avizinhar em mim. Agora, que não sei mais nada do que é amar, de quem é amor e nem como conjugar.

É, amar é verbo intransitivo e é intransigente, este indigente que é o amor.

3 Comentários

    1. Luciana Targino

      Impressionante a nossa impotência diante deste fato. kkkkk
      Amém. Vai ver que tá aí a graça da coisa.

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