antissocial capa
Eu, na minha versão nerd, no meu mundo

Antissocial

Ele entrou na cafeteria com um violão nas costas. Uma guitarra, um baixo talvez. Não dava pra saber o que vinha exatamente naquela mochila com curvas. Cruzamos os olhares. Eu estava sentada em meio ao meu computador e um monte de textos de faculdade. Qual terá sido a primeira impressão dele sobre mim?

Levantei pra ir embora e dei uma olhada daquelas que demonstra que você tá interessada, mas não muito. Ele tava me olhando e sustentou o olhar. Virei. Paguei a conta. Olhei de novo pra checar se ele me olhava. Sim. Fui embora.

Talvez se eu tivesse sustentado mais um puco aquele olhar, eu não estaria nem aqui agora escrevendo este relato. Talvez estivéssemos engatado num papo ótimo. Evoluído do café e da coca-zero pra uma cerveja, quem sabe? era feriado, afinal, e as pessoas deveriam tomar mais cervejas do que coca e café no feriado, não? Se bem que, se for no quesito drogas, coca-cola é bem mais hard core.

O jeito dele era engraçado. Meio nerd, meio bobão, assim, do jeito que eu acho legal. Blusa grandona xadrez, igual a que eu vi no metrô logo depois na cintura de uma menina e pensei que deveria ter ficado mais tempo naquele olhar, vi de novo a mesma blusa em outra pessoa e acho que é um castigo por eu ter desviado a vista em vez de encarar.

Mas pensei também que ele poderia ter se levantado pra me cortejar. Sabia que voltou à moda essa coisa de cortejar? Precisa ver como os adolescentes se pedem em namoro hoje em dia. Eu tenho um monte de sobrinhos e sobrinhas e sei que rola seresta, pedido pro pai, pra mãe, as amigas vão junto, é uma coisa bem anos 30. Adoro!

 Na verdade, nem sei se eu queria isso, ando meio preguiçosa para relacionamentos, mas, sim, eu sei que devo me esforçar, pois, como já dizia Tom: Fundamental é mesmo o amor…(Coloquei a musiquinha que é linda demais).

Será que é mesmo, fundamental, esse amor? Ah! Não sei, ando meio bicho do mato nos últimos tempos. Se deixar, me encasulo e só saio pra ir pra praia, pra tomar cerveja e comer sushi com amigos, ou sozinha mesmo e… tá bom vai, “vezenquando” umas escapadinhas porque, né?, de ferro não sou.

Será que eu perdi a chance de conhecer o homem da minha vida?

Hahaha, que frase mais tosca que já fez tanto parte do meu passado.

Já conheci tantos homens da minha vida, maravilhosos. Uns que ficaram mais, outros menos, outros não, mas eles sempre aparecem, estão por aí. Calma, não os meus ex, mas os homens da minha vida, afinal homens da minha vida são os homens que passam pela minha vida, não é mesmo? Essa coisa de eternidade é pra princesa que não morre nunca. Já eu, tenho prazo.

Mas, olhe, tô vivinha da Silva.

Quando eu era mais nova, ficava preocupada de encontrar alguém enquanto eu era “jovem” porque eu achava que só iam me querer “xófen”. Não que eu esteja velha, 37 anos não é velha, mas a bagagem que tenho acumulada já conta uma história, a qual não deixaria por nada. Acho forte, essa idade, 37. A minha tia disse que é uma idade linda e eu acreditei, porque ela tem 65 e ela sabe muito bem do que tá falando. E ela é linda!

Mas não adianta eu ficar fugindo do assunto, não. Me coloquei mesmo na berlinda porque eu ando antissocial e tô é ficando encabulada. Não sei se é fruto da timidez, a qual passei a vida tentando vencer e, agora, depois dos 37, tô aceitando perder uma batalha ou outra pra melhor passar – e isso é ótimo; não sei se preguiça de encarar o mundo, ou medo do mundo, vai saber… 

Não é que eu ande antissocial para todo mundo, mas, enfim, em outras épocas eu teria sustentado o olhar.

Agora tô aqui me perguntado se era Pedro, Paulo, Antônio. Se era Haddad ou Bolsonaro (aliás, tá bem mais fácil encontrar a tal pessoa certa, perguntando de seu voto no segundo turno, já dá pra descartar uma galera. Igual aquele jogo cara – a – cara, lembra? Desculpa, você só vai se lembrar se tiver nascido dos anos 80 pra trás.), se gostava de futebol – não tinha a menor cara -, se rock ou mpb – chutaria rock pesado-, se tem irmãos, se vinha calejado demais dessa vida, se filhos…

Fiquei sem saber se era violão, guitarra ou baixo.

 

Ps.: Crônica escrita antes do resultado do segundo turno, sorry!

Ps 2: Se você quiser ler a crônica da semana passada, clica aqui.com

3 Comentários

Mais Crônicas