Leseira ou ato falho.

Diante de um processo de limbo novamente no qual se encontrava minha vida, decidi participar de um processo de doutorado na UFC. Morando no Rio há dois anos e um coração dividido entre uma cidade e minha família, resolvi tentar, vai que o acaso me mandava de volta pra casa.

Comentei com algumas pessoas do processo e todas – principalmente meus pais – abriram um sorriso de contentamento e esperança em me ter de volta. Achei tão lindo isso. Meu eneagrama é 4 (se quiser saber que diabo é isso, clica aqui) e sou igual a um vira-lata, basta um afago e eu já abano o rabinho. 

Durante uma semana eu quase enlouqueci. Idas e vindas à biblioteca da Unifor, escrevendo projeto de tese, catando comprovantes na UFC e na própria Unifor… Sei nem como dei conta.

Depois dessa maratona, dia 5/9 fui lá e entreguei a documentação. Cinco dias depois, para a minha triste surpresa, minha inscrição foi indeferida. Motivo? Na inscrição online,  eu marquei um X em Mestrado em vez de em Doutorado e todo o meu esforço e as mais de 40 páginas que cataloguei foram por água abaixo. 

Tô até agora apática. Já chorei, fiquei com dor no corpo inteiro, mal posso me mexer. Só consegui desabafar com meus pais, que estavam em casa e minha analista porque, sei lá, Freud sabe. Vergonha! E agora tô aqui falando com vocês e comigo mesma, porque, tudo o que não me mata… me inspira e me leva a uma crônica. Pelo menos isso, né? rsrs

Fico me questionando se isso foi leseira, distração (isso eu sou), ou ato falho. Acho que acho o doutorado um negócio tão difícil de entrar que eu já queimo a largada inconscientemente. Aliás, sempre acho que perderei grandes batalhas, mesmo com ascendente em Leão e lua em Touro. Virginiana é osso!

Zodíaco à parte, eu não sei nem o que diga e sobre o que eu discorra nesta crônica, tamanha é a minha frustração.

Pensei no destino e em como algumas decisões, ou intempéries, podem nos levar, ou não a lugares que jamais saberemos, ou saberíamos. Uau! Que frase vaga… Mas é vago mesmo. Já pensou se eu passasse no doutorado em Fortaleza? Voltaria pra cá? E o sonho de morar no Rio ficaria pra outra época ou já se daria por concretizado nesses últimos dois anos? Quais pessoas eu deixaria de conhecer? Quais novas eu conheceria? Piração!

Pensei no lapso. Por causa de um “x”, ou um clique no botão errado, eu posso ter mudado todo meu destino. Um doutorado define uma vida, ou parte dela. Pensei no lapso de quem perde alguém num acidente, na vontade que dá de rebobinar a fita e voltar atrás, uns diazinhos só pra eu alterar aquele “x”, um minuto apenas pra pedir pro carona botar o cinto de segurança e não voar pra fora do carro naquela batida. Só o tempo de dizer “eu te perdoo”, ou “eu te amo” pode ser o suficiente para a jornada de quem fica seguir em paz.

Você rebobinaria o que na sua vida, se pudesse?

Pensei em como a mente da gente pode nos trair. Se foi ato falho, no meu caso, porque eu não acreditei que podia tentar um doutorado? Por que eu, depois de tanto tempo, ainda me diminuo? Você se diminui? Você se duvida? Se boicota? Já falamos disso aqui, lembra?

Pensei em como a gente ocupa a nossa vida inventando compromissos e rotinas e, do nada, ela te redireciona e você nem sabe como lidar com a novidade, tem nem roupa pra isso. Eu tava com a agenda toda aperreada, lendo os livros que cairiam nas provas adiantes… Tô com dois aqui que nem tive coragem de virar a página, tamanho o meu desolamento. Tava tão cômodo essa ocupação toda. Acredite, às vezes é muito mais fácil você ter um monte de coisas pra fazer, ter do que reclamar, com o que se distrair, em vez de ficar pensando em si. Piração 2! 

Levei o pensamento, depois dessa decepção, pro exotérico e – como boa (ou péssima) virginiana – onde eu estou errando? Será que estou sendo injusta com alguém, merecendo provações, será que tô machucando você? Ando tão quietinha, tão na minha… Será que ainda assim incomodo? Acendi até uma vela em busca de respostas, vai que…

Será o inferno astral faltando uma semana pro meu novo ciclo? Fé. Como eu queria ter mais  pra poder me confortar diante de um troço desses. “Foi Deus quem quis”, “É porque não era pra ser”, “O que é seu tá guardando”. Você crê nisso? Sorte a sua, eu invejo quem consegue. Essas frases só me geram ansiedade, porque eu sempre acho que eu poderia fazer algo mais e melhor por mim. Virginiana… Esqueceram?

Cabe recurso. Vou tentar, claro, mas só pra dizer que não fui até o fim. Até porque, vai que alguém tá querendo me testar. Minhas conquistas sempre envolveram alguma dor, sempre. Nunca tão simples, nada tão fácil, apesar de eu reconhecer que sou uma privilegiada nessa sociedade tão desigual. Também não gosto de entrar nessa bad de que tudo tá dando errado… Sempre acho que quem tá no comando somos nós e que só cabe à gente espantar a nuvem preta.

Desculpem aí. Toda crônica tem um desfecho no final, geralmente ele arremata a ideia central, resgata os pensamentos do primeiro parágrafo e fecha triunfante. Não consigo. Tô aqui só o tamborilar desses dedos, os olhos cansados de quem já chorou e ainda viu um capítulo pesado da novela e ainda tomou uma aspirina pra relaxar de um mau jeito que deu nas costas. Sinceramente, hoje não é o meu dia.

Vai ver é o inferno astral, sei lá…

Se você já passou por uma dessas, divide comigo aqui nos comentários, please! Não meu deixe só, que eu tenho medo do escuro, eu tenho medo do inseguro… rsrs

Bjs

Lu

2 Comentários

  1. Paula

    Lu, se você realmente quiser o doutorado aqui, tenta o recurso e bola pra frente, o seu “erro” não foi fatal, você ainda tem uma segunda chance, que não seja nessa inscrição, será na próxima. Tem muita gente que nem oportunidade de tentar de novo tem. 😘

    1. Luciana Targino

      Pois é, já chutei essa bola pra frente. Não rolou por aqui. A vida segue seus caminhos meio escuros, mas que se abrem em luz em algum momento, né? Beijo, obrigada pela força :).

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