auto-ajuda

Auto-ajuda. Perdão minhas leitoras – e meus 3% de leitores masculinos -, já vou logo avisando que  fiz essa crônica que ficou bem auto-ajuda porque eu fico impressionada como eu, e você, tenho certeza, emperra a vida por tentar antever o que você acha que ficou de acontecer. É ou não é?

Mesmo que toda crônica acabe, de certa forma, sendo uma auto-ajuda por sua própria característica, a qual o autor se coloca no texto de uma forma mais explícita do que em um romance, por exemplo, e visa, a partir do seu ponto de vista, passar uma mensagem para o leitor, ainda que esta mensagem seja apenas a de fazê-lo continuar pensando sobre o assunto, podendo mesmo – e em muitos e ótimos casos – discordar do autor, fato é que a crônica toca e tudo o que toca termina por ajudar, ou atrapalhar, no desenvolvimento de alguém. Parece confuso, né? Mas o cronista é, antes de tudo, um “pitaqueiro” do cotidiano, ou seja, uma pessoa que fala o que pensa sobre os acontecimentos.

No meu caso, meus cronistas favoritos sempre me ajudaram, mesmo quando seus textos vinham feito flechas nesse meu peito.

Mas esta crônica é mais auto-ajuda ainda, porque é pra ver se eu me ajudo e te ajudo também, já que a gente sempre está um passo a frente do presente, tentando agarrar as rédeas do futuro com unhas e dentes, controlando-o, antecipando-o para não frustrações futuras. É ou não é? Já deu pra perceber que esta auto-ajuda vai tratar de ansiedade e tentativa de controlar o tempo.

Pois bem, como vocês já devem saber, moro no Rio. E aqui, no Rio, chove pra caramba e faz muito mais frio do que você imagina, já que nos cartões postais e na TV só aparecem àquelas imagens lindas e ensolaradas da cidade maravilhosa. Pois bem, é maravilhosa, sim, mas não é só de carnaval que se vive. Aqui chove.

Porém, além de aqui chover pra caramba, o sistema meteorológico das terras fluminenses são de mal com a vida, a nossa, são de mal com o mundo. Ora, veja:  Eu olhei no Clima Tempo, bem como no calendário do meu celular, as condições climáticas para os próximos dias; era chuva todo santo dia com dias nublados e ventania. Cheguei de São Paulo na segunda, dia 12, e tratei de fazer o que tinha de fazer e correr pra praia, porque, depois, seria só treva. Tava uma delícia meu banho de mar e dele me despedi dizendo “até qualquer dia, caso o sol resolva brilhar de novo por aqui”.

Pois bem, terça fez sol, quarta idem, quinta – hoje – tá um dia azul que você nem acredita com um calor delicioso, como há tempos eu não sentia. Dizem que amanhã vai chover, mas, pelo que vi, domingo tem sol de novo.

Alguma semelhança com a sua vida? Alguma analogia com aquele pensamento derrotista de que não vai conseguir, não vai dar conta, não é pra você até o momento que o tal momento finalmente chega e vê-se que foi muito mais fácil do que se imaginava? Ou àquela mania de querer controlar todos os passos, pensando láaaaa na frente o que vai ser, como vai ser, paralisando o presente e ganhando uma ansiedade enorme por tentar conter um tempo que ainda não é seu? Quem nunca? Eu tanto! .

Essa mania de querer prever e controlar o que está por vir, sem deixar com o que o acaso simplesmente cumpra o seu papel de dar uma luz, um rumo e te trazer algo de bom, ou não, mas algo. A vida nunca fica na inércia, você acorda e as peças começam a se mexer no tabuleiro. Nossa! Minha proposta de crônica de auto-ajuda está-se cumprindo. É cada metáfora pobrinha que dá dó. Sorry. 

A moral dessa historinha que ficou pequenininha porque não tem muita literatura aqui não – a não ser a de auto-ajuda, essa que vende a rodo nas livrarias, essa que tá lá pra te dizer o que você já tá cansada de saber, mas não bota em prática e, depois de tanto ler, acaba criando uma coragem que já existia, mas estava adormecida e vai lá e muda tudo, dá a guinada que precisava. Falei tanto no aposto que botei um ponto, vou concluir no próximo parágrafo, sorry again!

A moral dessa historinha é a de que realmente não adianta em nada tentar prever o que vem e, pior, acreditar no que as pessoas te dizem que vai acontecer com você. Não caia no conto do Clima Tempo.

A moral da história pra mim é a de que eu, que já fiz parte do que deveria fazer  por hoje- afinal, nunca terminaremos de fazer tudo, não é mesmo? – vou, depois da dentista, pra praia porque, né?, vai que amanhã o Clima Tempo acerta e amanhece chovendo…

Melhor não arriscar.

Vamos a la playa?

Bjs

Lu

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E se você não leu a crônica da semana passada, confere aqui.

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