eleições 2018 doutorado
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Pois bem, estou há um mês envolta com uns projetos de tese porque em 2019 estou querendo muito fazer meu Doutorado. Oxalá dê certo.

Contudo, para dar certo, antes de mais nada, eu tenho que preparar o tal Projeto de Tese – boto logo com letra maiúscula porque é difícil demais fazer esse negócio, apesar de valer a pena.  E é aí que entram as eleições 2018 que dão título a esta crônica, queridas leitoras.  Reparem, a seguir, minha analogia:

Em um projeto de tese, precisamos:

1 – Identificar um problema.

2 – Fundamentar este problema baseado na teoria já existente, o que leva a crer que esse problema realmente existe.  

3 – Propor uma nova visão para tal problema, tentando encontrar uma solução que ninguém encontrou ainda. Uma hipótese que, se confirmada, virará uma Tese.

4 – Precisamos definir os objetivos daquela pesquisa, ou seja, o que eu pretendo ao investigar o tal problema, encontrar o que?

5 – E é preciso também apresentar uma justificativa para o problema, ou seja, porque vai valer a pena a universidade me fornecer aulas gratuitas com os melhores professores do mercado e, quem sabe?, me dar uma bolsa de estudos. Qual será a minha contribuição para o conhecimento nacional se eu conseguir resolver o problema o qual eu identifiquei.

Agora, vamos falar de política e das eleições 2018.

Minha ideia aqui é fazer você refletir sobre o seu voto, o seu candidato, você só com você mesma, porque ficar discutindo em grupo de whatsapp já deu o que falar, já desfez amizades, casamentos, laços familiares. Precisamos de paz.

Vamos por partes (Jack), ou melhor, por tópicos porque eu ando muito didática nesses tempos de dedicação à projetos de tese:

1 – Seu querido candidato identificou o problema que vem te afligindo, seja essa aflição causada por problemas com você e com os seus, ou com terceiros? Digo terceiros, porque empatia é quase amor e não dá pra esquecer àquele semelhante diferente de nós, não é mesmo?

Segurança, saúde, educação, saneamento básico, cultura,.. A reflexão também vale para governador, deputado federal e estadual. Elexs (ele ou ela) pretendem fazer o que pela sua cidade, município, pela sua rua, pelas pessoas do seu sexo, da sua orientação sexual, pelas pessoas diferentes de você, seja de classe social, cor, crença?

2 – Como o seu candidato fundamenta este problema? Isto é, de onde ele acredita que vem o problema, o que causa o problema? 

Ele acredita que haja alguém responsável por esse problema? Se sim, é baseado em que que ele acha isso? 

Estatísticas, estudos anteriores, ou só preconceito mesmo? Tipo assim, quando alguém acha que os bailes nas favelas devem ser proibidos porque é um antro de marginalidade, isso é preconceito e não um fundamento teórico. Ou quando o seu candidato é contra a descriminalização do aborto porque a religião dele não permite, isso também é preconceito, pois nosso Estado é laico. Ou ainda, quando ele considera que mulheres devem ganhar menos porque engravidam. Ou quando ele pretende fazer a cura gay. Gays não precisam de cura, mas de um boy magia que os abrace. E eu também preciso, porque isso é ótimo. 

Mas vamos adiante. Tá dando pra acompanhar a construção deste projeto de tese das eleições 2018? É difícil, eu mesma tô quebrando a minha cabeça. Força na peruca! Passemos para o próximo tópico: 

3 – Propor uma nova visão para a solução daquele problema.

Primeiramente, vale a pergunta: o que está sendo feito vem dando certo? Ou é preciso mudar tudo? Se a segunda opção for a verdadeira, quais as alternativas reais que permitem essa mudança? Alguém já testou? Funcionou? O que o seu candidato apresenta de novo é realizável que possa solucionar o problema que te aflige, ou que aflige alguém que esteja mais necessitada do que você? 

Por exemplo, sabemos que o governo Dilma prejudicou demais a economia do nosso país. Mexeu no câmbio, subsidiou o preço da gasolina, as pedaladas ficais, o rombo na Petrobrás e deu no que deu. Mas será que estava tudo errado mesmo? No que tange os projetos de inclusão social, de universidade para todos, por exemplo – que começou com o governo Lula – que busca diminuir a desigualdade social absurda nesse país, será que nada se aproveita?

Eu tenho um problema com esses candidatos que vêm detonando tudo da gestão anterior e propõe “mudanças”. Têm coisas que precisam ser melhoradas e não mudadas, não é mesmo?

Depois desse passo, é hora do seu querido candidato definir o penúltimo ponto que compõe o projeto de tese:

4 – Quais os objetivos dele durante o período que terá para realizar tal problema. Ele tem quatro anos, portanto, não deixe ele te enganar com soluções mirabolantes demais. Assim como num projeto de tese, ele tem que ter objetivos muito bem definidos e possíveis de serem atingidos com os recursos que ele tem. E olhe que não são poucos esses recursos, porque o que a gente paga de imposto não tá no gibi. Quer dizer, tá, sim, no gibi, porque no preço da revistinha da Mônica tá lá o imposto.

Ele deve apresentar um objetivo principal, isto é, o que ele mais se prontifica a combater, e os secundários, aqueles outros que também existem e não podem ser negados.

No caso do Brasil, o problema é definir o objetivo principal, já que são tantos os problemas a resolver. Vai começar pela segurança, pela educação, ou pela saúde? É bem verdade que, no meu projeto de tese, só seremos eu e o orientador, mas no Brasil, o que tem de ministros e gente que deveria estar apta para dar solução não tá no gibi, logo, deveria dar tempo de agir em várias frentes, não é mesmo?

Vamos a um exemplo: Se, para o seu candidato o pior problema é a violência, como ele atuará nos secundários, a educação e a saúde pública? Seu candidato possui um projeto de governo convincente para atuar nas áreas nas quais não são a bandeira de campanha dele?

Será que o pior problema não seria o econômico, pois, um país com a economia estável leva a pessoas empregadas, que leva a pais que podem pagar pela escolha dos filhos, que leva menos gente passando fome, que leva a pessoas mais saudáveis, que leva menos gente ao hospital, que leva a menos necessidade de roubo e que, por consequência levaria a menos violência?

Não sei, isso é somente uma hipótese leviana e eu não sou a pessoa mais gabaritada para testá-la.

Por fim, passo 5, vamos à justificativa do gajo para os quatro tópicos acima:

Porque ele acha importante tudo o que ele acha importante, tudo o que ele elenca como problema e, principalmente, que ele nos diga para onde vai todo o investimento que você e eu faremos nele, tanto indo lá votar no gajo no dia 7, bem como pagando nossas contas em dia, porque boa parte do que você paga, vai para o seu candidato – caso ele seja eleito – cumprir com os objetivos que ele prometeu resolver.

Após – e durante – quatro anos, que é exatamente o tempo que leva um doutorado, o eleito deverá apresentar os resultados de sua pesquisa, e, espera-se que esta tenha preenchido todos os objetivos, se não, assim como eu, caso não apresente os resultados das minhas, levaremos bomba.

Não é fácil, não. Não é para amadores e nem despreparados. Não é para gente que só promete e não tem competência pra fazer, muito menos para quem não tem ideia do que fazer e fica dizendo que vai mandar o outro fazer. Delegar é muito importante, claro, mas espera-se que o presidenciável dê o norte para onde ele pretende ir, onde quer chegar com aquela ordem. Não tem moleza não. Se fosse num processo de doutorado, não passaria nem na pré-seleção esse tipo de discurso.

Mas não é seleção pra doutorado, são as eleições de 2018 e é muito mais importante, mais sério. E, olhe, depende de você.

Estude antes de votar, ok?

Em tempo, o voto é secreto, mas se você quiser me dizer seu candidato e dizer porque vota nele, poderíamos abrir uma conversa legal e construtiva, com respeito, tolerância e amor.

Eu voto no Ciro, porque ele não está nas pontas radicais nem de direita e nem de esquerda. Nós conhecemos os que estão nas pontas, certo? Vou de Ciro porque ele foi um bom gestor para o Ceará, apesar de ter gente que o odeie. Vou nele pelos ideias de esquerda, pelo olhar para o povo, mesmo eu pertencendo à classe privilegiada, afinal, não dá pra ser só bom pra mim, né? A grosso modo, é isso aí.

E você?

                                                                                                                                    Você já leu a crônica da semana passada? Tá aqui!

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