foda

Eu queria escrever pra revista TPM, mas a Maria Ribeiro escreve pra TPM e ela é muito foda. Aliás, todo mundo que escreve pra TPM é muito foda e tem uma cabeça tão aberta, com ideias e ideais tão transgressores e vanguardistas que me acho meio careta e nada foda. 

Eu queria ser gostosa igual aquela menina do instagram, mas ela tem um treinador que é foda e ainda tem uma cozinheira foda que prepara tudo pra ela e ela sempre se hospeda em hotéis fodas quando ela viaja que tem uma academia foda e as comidas fit que ela come.  

Eu queria que meu blog fosse famozinho, mas todo blog famozinho tem uma gente meio foda que escreve ou, pelo menos, os fãs – que são fodas – acham aquela pessoa foda e seguem ela.  

Eu queria ser apresentadora de um canal no you tube, ou até de TV, mas lá tá cheio de gente foda. Pelo menos esses que têm mais de 100.000 seguidores. 

Eu queria ser amiga daquela criatura que eu acho foda, mas só tem gente muito foda amiga dela e eu não sei se o meu papo é tão interessantes assim. 

Eu queria aquele cara pra mim, mas eu acho ele foda. Não sei se é projeção minha, mas toda vez que penso em ficar com ele pro resto da vida, penso que ele ia querer alguém mais foda do que eu pro resto da vida. É foda! 

Eu tenho mania de achar que o meu entorno é muito mais foda do que meu centro – no caso, eu – e eu sempre fico me colocando pra baixo, me achando menor. É foda! 

Eu acabo ficando com vergonha diante das outras pessoas porque eu penso que elas são muito mais fodas e vai ver que elas nem são.  

E isso pode parecer um textinho réi besta pra todo mundo ter pena de mim e me dizer que eu também sou foda, mas não é não, é insegurança mesmo. E insegurança é foda! 

Daí eu fico pensando que todo mundo deve pensar um pouco assim, tipo, que sempre vai ter gente muito mais foda do que a gente e fica meio amuado, frustrado, parado.  

Depois eu penso que não, que essas pessoas são tão fodas que chegaram lá por mérito e que talvez eu realmente não seja tão foda. 

É foda pensar assim e eu pensei assim por anos. 

Eu nunca escrevi tantas vezes essa palavra “FODA” porque eu acho ela feia. Acho que foi um trauma. Quando eu tinha dez anos de idade eu tinha ouvido falar, mas não sabia que era nome feio, aí eu briguei com o meu irmão e disse pro papai que o brother era foda.

– SEU IRMÃO É O QUE, MINHA FILHA???

E na minha ingenuidade eu nem percebi o tom de voz:

– O Gustavo é foda pai!

E eu levei um dos piores carões da minha vida.

Agora eu ando usando mais essa palavra pro bem e pro mal, pro sim e pro não. Eu nunca vi uma designação tão boa pra antônimos. Ela se amolda perfeitamente bem em suas duas funções… Aliás, três. Caramba! Pense numa palavra foda, essa, é melhor do que MANGA, que também tem três significados, mas pode ser facilmente substituída em um deles.

Foda não, é verbo intransitivo.

Agora, com a idade, ando ficando mais cara de pau. Ando perdendo o medo do ridículo e já cheguei até a ir pra um aniversário com o rosto todo descamado depois de um peeling. Peeling é foda, mas eu fui e fui feliz.  

Acho que tô ficando velha e louca, podem falar que eu não ligo – parafraseando a Malu Magalhães -, pois em todos os meus 36 anos de existência, não encontrei terapia melhor do que essa. Acho que vou botar essa frase na minha lápide: Podem falar que eu não ligo, eu tô ficando velha, eu tô ficando louca. 

E eu espero poder assinar embaixo: Eu fui FODA!   

2 Comentários

    1. Luciana Targino

      Obrigada!!! E eu te acho uma mãe foda, uma amiga foda, uma esposa foda, enfim, te acho foda!

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