exposição foto de família

Exposição: a família, as redes sociais e a política

Me disseram que eu ando expondo muito a minha família. E quem me disse, disse que não é só ela (a pessoa) que acha, mas as amigas dela também acham que eu ando expondo muito a minha família.

Fiquei preocupada e reflexiva, porque eu exponho mesmo – sempre sem citar nomes, claro, só quando é aniversário e eu quero me declarar. Eu sempre escrevo no b-day do meu pai e o exponho e, como ele é gêmeo, eu exponho o irmão dele também. Meu avô, vive na minha timeline, porque eu amo ele (sic) é muito e ele tá sempre na minha mente e eu só escrevo o que se escreve dentro de mim, feito Chico Xavier, os dedos só obedecem o que a alma manda. Aliás, como eu queria meu avô aqui e a sua sabedoria de mais de cem anos nesse período nublado.

Também exponho mamãe, que “vezenquando” me dá uma censurada, mas no aniversário dela, no dias das mães, ou numa quinta qualquer quando eu não estou perto, ela não escapa a um #tbt. Falo muito do Nelsinho também… Mas é porque vocês não têm noção das bochechas e do senso de humor daquela criança. Ele só me melhora todo dia como ser humano – assim eu acredito, né?, que esteja melhorando – ele fala com a minha alma quando me olha e diz: “o neném gota (gosta) de você”, ou quando me cumprimenta: “oiá (olá) shitaia (Shitara)”.

Mas eu nunca havia sido advertida, até porque eu tenho – eu acho que tenho, né? – bom senso em não expor a ponto de denegrir, ferir, ou por em risco a imagem de ninguém. Acho que se expor é um hábito – meio paia, seu sei – da nossa nova forma de estar no mundo atualmente. Precisamos morrer feito os dinossauros pra começar de novo e, quem sabe, nunca deixar o Zuckemberg criar as redes sociais. De rede, só a da varanda pra aquela cochilada depois do almoço.

Mas essa pessoa, que não me expôs – ela disse só pra mim mesma, ali no particular do whatsapp – disse que o problema tá mais agora, na política. Que eu tô expondo a família com minhas últimas postagens. E que até as amigas dessa pessoa também acham isso. Fiquei aqui pensando como serão as postagens das amigas e da família das amigas nesses tempos de política… Eu achei legal que as amigas dela – da essoa – me leem e eu adoro quem me lê, mesmo quem discorda, porque eu adoro dialogar, apesar de dialogar estar sendo algo bem difícil neste contemporâneo.

O pior é que as pessoas me falam as coisas, aí me dá vontade de escrever. Seja quando me falam de amor, de política, de mimdelas mesmas… Cronista é escritor do cotidiano e eu sou cronista. Quem me inspira é a vida e as contradições da gente. Vou já levar outra ralhada dessa pessoa porque tô expondo aqui… Ai, ai, mas não me contenho. Ela há de me perdoar, até porque, a gente já se perdoou outras vezes, por coisas piores, e não vai ser dessa vez que nossa cervejinha ocasional estará em risco, né?

Perco o amigo, mas não perco a crônica. rsrs (contém humor de novo). Flavinha, perdoa eu, vai?! Flavinha é um nome fictício.

família
Quem que aguenta com esta bocheha???

Mas, agora, falando sério, o problema não sou eu, nem a pessoa e nem a amiga dela. O PROBLEMA é o momento político. Somos tod@s vítimas.

O problema é como a gente entende política. O problema é que a gente – e eu me incluo – tá achando que todo mundo virou uma bandeira, que todo mundo virou um partido político e que, se eu voto em A, é porque eu concordo com TUDO o que o A já fez e, se eu voto em B idem. E não é, né? A gente reconhece os defeitos, mas vota em quem acha que tem a melhor estratégia para melhorar o que todo mundo vê que tá mal: corrupção, desemprego, miséria, saúde, educação, segurança…

Veja, bem, hoje sou taxada de esquerdista, mas acreditem, eu acho a atuação do Sérgio Moro fundamental neste país, e o apoio. Pode alguém de esquerda apoiar Moro? Pode? Se não puder, Moro, me prenda, tô já chegando em Curitiba.

Como foi que a gente chegou até aqui, minha gente? Nesse telefone sem fio que um diz A e o outro entende Z e ninguém se entende mais? E a nossa convivência de anos e eras, onde foi parar? Convivência é conhecimento adquirido sobre o outro e como você pode taxar esse outro, sem nem ouvi-lo, só pela escolha política dele?

Sim, eu sei, “diga-me em quem votas que eu te direi quem és”, mas vamos tentar pegar mais leve.

Essa crônica só começou por causa dessa mensagem de amor e tolerância que eu postei sobre a minha família neste período eleitoreiro. Vou colocar aqui ispsis litteris pra que vocês tirem as suas próprias conclusões. Segue o link dela também. 

“Pertenço a uma família que votará em peso no candidato que me enche de medo: Bolso…
Foram meses de discussões, algumas agressões verbais, afastamentos, mágoas, julgamentos e tudo de ruim que esse período eleitoreiro nos trouxe.
Porém, na última sexta, sentei-me ao lado de um tio que diz que nem sequer houve ditadura militar no Brasil… e falamos de outras coisas, e rimos… Tio este que me encontra, me olha com atenção, fala do meu cabelo e eu me sinto cuidada. Sentei-me na roda dos meninos e, enquanto bradava Evidências na festa, a gente seguia discordando, mas se ouvindo, buscando entender o que leva cada um de nós a pensar como pensamos, sem nos odiarmos. Nesta mesma sexta, ou melhor, já na madrugada de sábado, um primo me diz que quer entender meus pensamentos de esquerda e levamos quase uma hora de conversa até às três e meia da manhã. Saímos sorrindo e nos abraçando.
Não foi fácil. Não é fácil. Estamos todos bem chamuscados, mas minha família pulou essa fogueiraSeguimos amigos.
Falei pra eles que, se o Jair ganhar, vou torcer diariamente para que, daqui a 4 anos, eu seja a pessoa que vai apertar o 17 naquela urna e esteja orgulhosa e surpreendida com ele. Torço pra que eles também pensem assim, caso Jair não vença.
Fico feliz por, apesar de TUDO, não ter perdido ninguém pra essas eleições.
Nosso Natal tá garantido! 🙌
Torço pra que o seu também.”

Pois foi daí que a criatura amiga da minha criatura disse que a minha família estava brigando por causa de política. Pois bem, a gente anda discutindo sim, divergindo, se excedendo, por vezes, porque quem não estiver com os nervos exaltados nestas eleições, olhe, me diga logo aqui que floral é esse que você mistura no seu Rivotril que é pra eu tomar no gargalo.

No mais, a quem interessar possa, minha família segue bem. Irá toda celebrar um lindo Natal como todo ano o fazemos.

Feliz Natal – EM FAMÍLIA – pra vocês também.

Bjs

Lu

Ps.: Minha cara leitora (or) que me segue aqui, olha, por favor, tenha paciência comigo. Sei, quarta crônica sobre política – pulei uma quarta-feira, a da semana passada, pra vocês não enjoarem, você leram? Tá aqui. – mas você tá conseguindo pensar em outra coisa? Olha, se você estiver de saco cheio, me diga que eu dou uma aliviada na próxima quarta. Querem? Me digam aqui nos comentários que eu posto. E se você não leu a da semana retrasada e ainda tem estômago pra ler sobre política, tá aqui ela. 

Bjs

Com carinho

Lu

família
Família exposta.

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