lar
Peguei essa imagem aqui https://bit.ly/2RURF03 e o texto dela é massa. Clica no link.

Lar é o caminho… De volta pra alguém!

Lembro-me de uma amiga dizer, enquanto todas queriam seus maridos sarados, que ela não queria que o dela perdesse a barriga não, porque quando ela tinha dor na lombar, ela pedia pra ele deitar de conchinha e a barriga dele pressionava exatamente onde doía nela e aquilo a aliviava. 

Hoje, eu estava vindo no metrô, com uma dor enorme na alma, um peso, uma mistura de preocupação, com medo do por vir, medo da velhice, medo de perder os meus, com um medo de não dar certo o que estou planejando, medo de não ter planos… Enfim, depois de uma aula de literatura sobre o Kafka e seus aforismos, tava com a alma pesada (Se você quiser conhecer esses pequenos trechos cortantes, que penetram nossa alma e ficam ecoando dentro da gente, que são os aforismos do Franz Kafka, é só clicar aqui.). 

Comecei a me perguntar o que seria capaz de me tirar daquela dor. Pensei se um banho de mar nesse dia lindo de sol que tá fazendo no Rio me curaria, ou se uma cervejinha no meio dessa manhã, se um almocinho gostoso, o qual eu não precisasse cozinhar (haha). Certamente isso tudo seria paliativo, porque, né?, bom demais (rsrsrs), mas não, nada disso resolveria não.

Me veio o amor como resposta. Pensei que, quando dói muito, quando dói desse jeito, a cura é mesmo correr pros braços de alguém que se ame. Um amor mesmo. Desses que você pode chegar sem falar nada e só cair num beijo e num abraço. Desses que ia te perguntar o que tava acontecendo, você talvez falasse e ele ia te dizer algo pra confortar e, cinco minutos depois, algo pra te fazer rir. Talvez vocês abrissem um vinho enquanto ouviam uma Joss Stone e talvez até transassem… Tudo resolvido, ainda que o mundo não tivesse se dado conta e os problemas continuassem aí.

É que a pessoa amada costuma ser um Lar. Não é a casa organizada, não é o sofá que você sempre quis, muito menos a mesa de centro com as quinquilharias que você trouxe de suas andanças pelo mundo. Não são os quadros e nem a sanduicheira que você usa todo santo dia em vez de estrear àquelas panelas caríssimas que comprou se prometendo comer melhor. Tudo faz parte, mas não é o Lar. 

Lar não são coisas, são pessoas. Mesmo que você more sozinha. Você ama chegar em casa depois do trabalho, exausta e se jogar em frente à tv, espalhando o salto e bolsas pelos cômodos pra arrumar depois da novela, sem ter ninguém pra fazer barulho, eu também gosto. Mas, se na hora que doer, se na hora que você estiver perdida, com medo e meio carente, se não tiver pra quem correr, o lar fica sem forma, fica frio, fica sem graça. Porque são as pessoas que colorem e aquecem os lugares, mesmo quando não estão lá, mas se fazem presentes whats app, por exemplo, pra ficar nessa linguagem contemporânea. Isso já acende a fogueirinha que você precisava. Puxe o edredom e durma bem.

Em minhas cruzadas de ares por esse globo – não que eu viva fora do país, como essas blogueiras que fazem bate-volta em Paris, por exemplo, mas até que eu rodei bem nesse ano – por vezes eu me perguntei onde estava meu pouso, de quem eu queria o abraço na chegada, onde estaria a minha casa, meu Lar.

Pai, mãe, sobrinho, família – mesmo após o período eleitoral, sua família é seu maior bem e, se ainda não fez, faça as pazes antes do natal, ok? – todos eles são seus Lares e voltar pra eles sempre pode ser um norte pra você se recarregar e continuar a sua jornada depois. Eles são amores.

Eu sei, mas tem aquele amor que é o amor mesmo. Não necessariamente ele é o maior amor que você sente, talvez ainda esteja até no início, mas quem aqui precisa ficar medindo tamanho de amor numa hora dessas? A gente só quer é alguém pra se encostar sem se preocupar com o dia seguinte. Alguém que esteja construindo conosco uma vida a qual não se tem a mínima ideia de onde irá desaguar, mas o caminho é o que importa, desde que estejam juntos.

É pra esta pessoa que você vai querer voltar, é pra ela que você vai ligar no meio do dia pra dizer que o vinho da noite já está na geladeira. É pra ela que você manda um whats app: – sushi ou pizza? e ela nem te responde, só diz: – adorei a ideia, e vocês terão um momento especial em plena quarta-feira. É pra ela que você vai ligar quando saírem os resultados dos exames pra dar boas ou más notícias, com ela que você vai conversar até o sono bater, vai despejar nos ouvidos dela todos os (seus) problemas do mundo até ficar aliviada.

É essa barriga que vai massagear a sua lombar, essas mãos que vão aliviar a dor no seus pés depois da palestra de três horas em pé, ela que vai te abraçar relaxando todos os seus nervos…

É ela que é o seu Lar.

Deixe ela entrar e faça ficar até quando você se sentir em casa,  

Lembrando, claro, que esse Lar pode mudar de endereço. porque Lar é o caminho, mas é pra onde a gente sempre quer voltar.

 

Se você perdeu a crônica da semana passada, é só clicar aqui.

 

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