Pertenço a uma família enorme! Meu avô paterno tem oito filhos, que se casaram e tiveram vinte e um netos, que se casaram e tiveram, até agora, uns vinte bisnetos. Além desses, mais outros dez que convivem rotineiramente, fora os amigos de cada um e o restante da família espalhada pelo Brasil. “É tanta gente que dá uma guerra!”
Melhor dizendo, e aí está a graça da coisa, “é tanta gente que dá uma PAZ”.
Sempre convivemos intensamente. Estudei na mesma escola que meus vinte e tantos primos, fizemos aulas de vôlei, inglês, dança (para as meninas), futebol (para os meninos).

Houve épocas em que fizemos capoeira juntos e depois forró juntos… Era bom demais! Como se não bastasse, moramos no mesmo prédio uma vida inteira e nossas casas de praia são todas juntas. Fora isso, insistimos em trabalhar juntos, não todos, mas hoje divido uma sociedade com mais três primos e, acreditem, a gente briga, mas a gente se entende super bem.
Neste domingo tivemos um evento na empresa da qual sou sócia e, para minha alegria, a família foi em peso. Foi uma tarde memorável que certamente marcou a todos nós. Nada de diferente: música boa, cerveja gelada, comida gostosa, amigos queridos, mas o que fica gravado é a convivência, é saber que os anos se passaram e o laço que nos uniu é tão forte que agrega em vez de nos distanciar.
Atualmente não nos vemos todos os dias e é claro que as afinidades existem mais com uns do que com outros, mas temos a certeza de que lá no fundo a gente mataria e morreria por cada um de nós, mesmo que, por vezes, as relações estejam estremecidas. Somos seres humanos que discordamos, erramos, mas, principalmente, nos perdoamos. Minha família tem essa mania, a de fazer por menos os defeitos em prol de uma amizade vinda de outras vidas (as dos nossos pais, avós, tios-avós, etc) e que durará por outras gerações.
Observo algumas famílias nas quais as relações são meio estranhas, irmãos que não se afinam, pais e filhos que não se bicam, parentes que não se toleram. Sei que isso existe e é comum, mas percebo que na minha família lutamos contra este tipo de movimento, é como se algo lá dentro nos dissesse – Ele é chato, mas tolera aí, pois sua tia o ama e é melhor tê-los por perto. Somos fadados a nossa união, não temos escolha, ainda bem!
Família é gente da gente, é gente que tem a gente no DNA, é entranha, é víscera, não dá para correr contra. Família é memória, é nossa história, é de onde vêm nossas características, os cabelos castanhos, os olhos azuis, o jeito moleque, o sinal de nascença.
Sei que muitos dirão – eu tenho amigos que são minha família, mais até do que a que tenho de fato. Eu sei! Isso existe sim, mas advogo que família é a sua amizade mais fácil, já nasceu pronta, só basta você cultivá-la e nada impede de tê-la e agregar a ela mais um milhão de amigos. Meus melhores amigos foram trazidos por primas e primos e eu também trouxe amigos para dentro.
Esse pequeno texto de domingo é apenas uma reflexão sobre gratidão. Gratidão por ter um batalhão de gente que neste mundo só me faz bem, um monte de gente que é por mim assim como sou e serei por eles até o fim.
Meus desejo é que as famílias possam sempre encontrar motivos para estarem juntas, rirem juntas, beberem juntas, brincarem com as crianças juntas, viajarem juntas e, principalmente, se encararem de modo a enxergarem os defeitos tão a fundo que seja possível superá-los e tolerá-los.
E como eu já disse uma vez: Família: se você gosta, preserve-a, se não, tolere-a.

3 Comentários

  1. roberta

    Lindo, Lú..!!! eu sempre digo que sou abençoada por ter nascido nessa família tão unida, de valores que ja nao se vê mais em lugar nenhum..!! amo demais..!!
    Beijo grande, prima.. e parabéns pelo texto..!!

  2. Bruno

    Hoje não vejo pessoas tão queridas com a frequência que eu gostaria, infelizmente não é possível. Mas tento tirar o máximo de proveito nessas poucas vezes em que nos encontramos, pois amo a todos e estar junto me faz bem.

    Podem ser poucas vezes, mas isso só me faz ter mais carinho por elas do que nunca.

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