Tentando ser a minha melhor versão

A minha melhor versão - Bataille vs Instagram

Minha melhor versão – Bataille vs Instagram

Tenho que ler um trecho de livro que deve ter umas quinze páginas, pense numa súplica! Sinceramente, se alguém que um dia for estar na minha banca de um pretenso doutorado ao qual pretendo me propor e estiver lendo isso, vai me reprovar. É que eu estou há umas duas horas nessa peleja. Tá tão ridícula a situação que eu resolvi parar pra escrever. Que é o que sei fazer, acho.

A cada três ou quatro parágrafos eu largo o texto, no caso, o do Bataille, que é maravilhoso – e corro “praquela” produção de inutilidades que é o Instagram.

Lá eu vejo uma amiga discorrer lindamente com fotos e textos o que ela aprendeu no seu 2017. Vejo a blogueira de moda e fit – ela é duas – falar que a sopa da dieta de hoje a noite não matou a fome dela e eu me compadeço, odeio sopa. Vejo e analiso a outra blogueira tentar ser blogueira, mas ela não tem o menor carisma, mas tem uma quantidade razoável de seguidoras e alguns patrocinadores. Boa sorte, colega!

Acho graça dos memes, vejo o que estão fazendo as pessoas que eu acho legais, Vejo que o César Tralli ainda tá pra acolá com a filha da musa do Vinícius e penso que ele poderia deixar aquele sorriso mais natural nas fotos. Vejo quantos views já tem o vídeo que eu postei.

Eu eu volto e leio mais uma página do Bataille e lá vai a mesma saga novamente. Gente!!! Que vida mais improdutiva, meu Deus.

Me bate uma culpa, mas é tão penoso você tentar ser uma versão melhor sua, que você projetou como sendo mais legal, cult, descolada, só que, cara, é osso. Se eu puder escolher um hobbie pra ter na próxima encarnação, que seja o da leitura. Eu sempre odiei não gostar de ler ou, ler devagar. Admiro quem gosta, acho lindo, acho importante, e é uma coisa que hoje eu gosto de fazer e isso já é um grande avanço, mas AMAR, AMAR, aquilo que chamam amor, não, ainda não AMO. Tô no caminho. Mas amor é coisa que se constrói, né?

Às vezes eu acho que tá faltando eu ser sincera comigo, sabe? Que eu preciso admitir que se eu quiser impressionar Fulanos, ou Siclanos – sejam professores, colegas, amores – eu vou precisar usar de outro atributo, porque ser intelectual tá difícil. kkkkkk. Aliás, impressionar pra que? Porque é bom, né, gente? 🙂

Eu adoro ouvir as pessoas, adoro que me contem histórias. AMO assistir as aulas da pós em literatura e já com raiva porque as férias são muito longas. Coisas do Rio de Janeiro, mas isso é assunto pra outro post. Adoraria que o teacher estivesse aqui do meu lado explicando o ponto de vista dele sobre o Bataille e me convencendo de que, na teoria das despesas, eu dever ia gastar menos (só pra usar um pouco da teoria do que eu tô lendo e você ver que, sim, mesmo contra mim mesma, eu tenho chances).

Acontece que querer ser uma pessoa melhor, exige esforço e eu acho sinceramente que a leitura te faz uma pessoa melhor.

Penso honestamente que ler o outro te faz refletir, e se reposicionar diante do mundo, demove convicções ridículas e antiquadas que emperram a vida, acho mesmo. E é por isso que eu leio e quanto mais eu leio, mais eu gosto.

Também acho que tentar ser quem não se é uma cruz a carregar pra sempre. Imagina aquela pessoa que tem uma tendência danada pra engordar, mas não se aceita vestindo um 44 ou 46? Cara, é sofrimento atroz viver na academia e no alface, ainda mais com o olhar fulminante da sociedade que exige magreza e juventude. A coitada vai e o holofote social cai matando em cima da miserável, como se ela fosse causar uma explosão que nos matará a todos nós. É duro!

No meu caso é mais fácil. Ler realmente é legal talvez eu que não esteja num bom dia… Acho que é porque vai chover aqui no Rio e uma calota polar acabou de se despregar ali no Alasca. Aí interfere demais na minha concentração.

Acho melhor eu ir dormir, amanhã os astros e os búzios estarão em consonância no meu zodíaco e serei capaz de defender uma tese sobre Bataille e não vou decepcionar o professor gente boa que me deixou participar do grupo de estudo.

Eu ouvi grupo de estudo?

Sim, foi isso mesmo, porque eu sou dessas. Luto contra mim o tempo inteiro pra ser que eu quero ser e nesse caminho eu aprendo pacas e acabo mudando de ideia do que eu queria ser, mas sempre vou gostando da versão metamorfósica que eu vou me tornando.

Boa noite!

Inté mais vê-la, mas quando me encontrar, eu já serei uma outra eu, um pouco diferente, tomara que pra melhor, assim como eu desejo pra você.

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