Arte linda da Malena Valcárcel que eu catei no google.

Geralmente o que me acomete não tem hora, então, muitas vezes me pego, em pleno restaurante, pedindo caneta emprestada pro garçom pra não perder a ideia. Escrevo a crônica enquanto espero a comida, escrevo comendo, pago a conta e saio com a gorjeta de mais um texto escrito. Isso é riqueza, creia.

Contudo, já estou eu com bem uns 3 textos engavetados, loucos pra pular pra cá e ser de vocês também, mas eis que me dei conta, eu me lembrei, agendando outras coisas, de que a minha quarta-feira, dia oficial do nosso encontro por aqui, cai bem no Dia D dos namoradxs.

Tem data que não dá pra deixar passar, me desculpa, mas se faz imperiosa. Pior, ainda que você não tenha muito a dizer sobre o tema, há que ser dito algo, afinal, eu não tô a fim de me passar por insensível, muito menos alienada, muito menos, no caso do dia dos namoradxs, de recalcada porque não tenho namorado. Não é nada disso.

(No som toca “Onde anda você”… Tomara que me inspire a escrever sobre isso, porque, olhe, tô com dificuldades… Mas Vinícius tá que me embala aqui <3, junto com o charme de Toquinho).

Então, dia dos namoradxs.

Já começo com uma novidade. Troquei o “o” pelo “x” porque, a medida que cresço e leio e me informo e converso e ouço alguém que não seja eu mesma, vou abrangendo a minha visão de mundo e vou diminuindo coisinhas bestas feito costume e preconceito. Logo, cada uma (um) namora quem quiser, ok?

Passemos para o próximo tópico, tentando não parecer piegas e nem amarga

(Chico toca no som “João e Maria” e eu, que não tinha nenhum amor em mente, me lembro de que o amor da minha vida é esse de olhos azuis… Jantamos no dia 12, Chico?)

Voltemos.

Como falar de dia dos namoradxs sem ser cafona? Como, se o amor é brega? É lindo, é fofo, é fundamental, é delicioso, mas é cafona. Duvida? De que mesmo que você chama seu par? Divideodó que seja pelo nome. Vou palpitar alguns apelidos: Mô, mozi, mozinho, pituco, tchuca, amoreco, bebê, quindim, docinho, tigrão, gatoso, e por aí vai. Breguérremo, não? Acredite, é. Mas o brega é ótimo na maioria das vezes, ainda mais no amor.

Ah! Lembrei, tenho episódios ótimos de dia dos namoradxs. Minha mãe.

Sim, minha mãe, quando eu fiz 16, acho, minha mãe começou a ficar com pena de mim por nunca ter ganho um presentinho sequer de dia dos namorados. Pior, por nunca ter arrumado um pra me dar presente. Pois ela começou a desempenhar esse papel. Existe melhor? Desconheço. Mamãe recortava anúncio de revista bonitinho – lembro-me de um do boticário – e me dava junto com um ursinho, ou outro presente pra eu não me sentir tão mal. Gente, coisa mais linda do mundo. Vou já avisar pra ela que esse ano também não vai rolar presentinho pra mim… Manhê!!!

P.s.: Mamãe acabou de me dizer por telefone que não era pena não, era só de brincadeira mesmo. Benção dupla tenho uma mãe bem humorada e sensível, qualidades que andam faltando demaaaaaaaais nos dias atuais.

Então, mas hoje é dia dos namoradxs.

Ai gente, não tá dando, não tô inspirada mesmo pra falar sobre o tema. É que a gente está ouvindo tanta agressão contra as mulheres, é que a gente escuta cada papo machista, idiota e ordinário, que não tô conseguindo extrair o romantismo.

Que tal, nesse dia dos namorados – agora tô falando com os homens – dar de presente pra ela você parar de vez com essa besteira de não lavar sua cueca, não ajudar na educação dos filhos, não achar que ela tá ali pra te servir sexualmente, incentivar que ela se empodere, se desenvolva, vibrar com as conquistas dela? Hein? Que tal? Que tal você ensinar pro seu filho que tá começando a namorar agora, que, muito mais do que abrir a porta do carro, ele precisa olhar nos olhos dela, sempre, e tentar entender o que ela não diz. Diálogo, empatia, essas coisas que andam caindo em desuso. Que tal falar pra sua filha adolescente que ela não é uma princesa, logo, não precisa de príncipe algum pra tirá-la da torre do castelo, que ela mesma pode batalhar pra ter suas coisas, descer as escadas e pegar o beco pra ganhar o mundo. Ok, não vou problematizar hoje sobre falta de igualdade em oportunidades no Brasil. Vamos manter o tom do amor, que já tá difícil.

E que, claro, namorar é das maiores delícias da vida. Chamego, conversas por horas e horas, um vinho com novela em casa, um jantar romântico, uma cama quentinha depois… Àquela companhia de viagem, a pessoa que te lê nas entrelinhas e consegue te falar de você mesma quando você está totalmente perdida. Que vai preparar uma playlist com suas canções favoritas, ainda que ela nem goste tanto de Caetano Veloso e você o venere. Àquela criatura que já falou com sua chefa e vai te raptar meio dia do trabalho e só vai te devolver amanhã no mesmo horário… Quero nem perguntar pra onde ela tá te levando. Àquela pessoa que vai chegar hoje com um presente da sua loja preferida (meu ex costumava me dar 3 presentes da Farm… ai que saudade. kkkkkkk), àquela que vai dormir de conchinha e que amanhã, como em todos os outros dias quaisquer, vai estar ali juntinho pra o que for, pra o que der e vier. Rimei mesmo, cafona mesmo, porque o amor tem dessas coisas.

Por fim, pra encerrar e deixar você ir fazer o que você tem mais o que fazer, que no dia dos namoradxs você não enfrente filas e engarrafamentos e cultive o mais importante e bonito dos amores: o próprio. 

Bom dia! Boa noite!

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