paisagem, saudade, vista, montanhas

Ouvi essa música dos Tribalistas mais o César Mendez, na voz de Marisa Monte ontem. Estou encantada como os sentimentos são universais e como os poetas – para mim, semideuses – conseguem expressar o que está dentro da alma de muitos, colocar em palavras uma dor, uma angústia, uma dúvida, uma saudade, coisas que desesperam o ser humano e atormentam os pensamentos.

Mas voltando ao título da música, concordo em gênero número e grau. Dentro de cada coração deve haver um cantinho chamado saudade, onde a gente vai lá visitar, mas sem morar, apenas rever algo ou alguém que deixou uma lembrança linda ou triste, mas que ficou e você guardou dentro desse cantinho.

Foram pessoas que passaram, mas que não responderam ao por que de terem surgido em nossas vidas, lembranças do pai, da mãe, de pessoas queridas que se foram, de momentos mágicos da infância… Fica tudo ali, um pouquinho de cada, do jeito que a gente imagina que é e que muitas vezes é bem diferente da realidade. Não não importa, pois o cantinho é nosso e guardamos nele o que queremos e da forma que achamos que deve ser lembrado.

Às vezes esse cantinho ganha corpo, parece querer tomar nosso corpo e temos de travar uma luta pra ele se manter quieto, sem machucar. É como um vulcão que fica adormecido, mas sabemos que cheio de vida.

Aí, tem dias que ele entra em erupção e causa aquele estrago: a gente chora, sofre, sente saudades… Pode ser uma música, um cheiro, uma foto, um alguém em comum, uma bebida… Qualquer coisa ou mesmo nada, pode fazer com que as lembranças guardadas e sufocadas ganhem fôlego.

Quando muito jovens, sem a sabedoria e a resiliência que só o tempo de vida nos dá, ficamos perdidos e terminamos por dar vazão ao que parece ser incontrolável. Com isso machucamos pessoas e atropelamos a nós mesmos.

Mas o tempo, este mesmo que envelhece a pele faz o oposto com a alma, como se ganhássemos mais força, mais agilidade e poder de adaptação; faz com que saibamos domar a nossa fera interna. Ainda que apaixonada, doida pra pular, gritar, sair correndo, sabemos como trazê-la de volta lá pro cantinho do coração chamado Saudade. 

Será?

Escrito em 5/10/2013

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