Sincretismo

Sincretismo: mapa astral, Umbanda, terapia, ou coach?

Sincretismo: mapa astral, Umbanda, terapia, ou coach?

Perdida. Tô totalmente perdida. Depois de um ano me dedicando a um projeto que ainda não sei se serei lograda com a felicidade de conquistá-lo, tô encurralada num grau que não sei mais na mão de quem que eu pegue pra me tirar dessa deriva.

Mapa astral, me dizem as amigas adeptas da prática que juram que ele dá um norte. Nunca fui muito de crer no sobrenatural, mas, de uns tempos pra cá, questionando um bocado os padrões, olho para o cientificismo, esse que se uniu ao catolicismo há muito tempo para se consolidar com poder sobre os homens e penso: porque não outras fontes de saber? Questiono-me querendo crer, mas receosa. Receosa também no valor que não é nada barato, 500 “pilas” é o preço para que o zodíaco te dê um rumo.

Recorro à Umbanda. De novo, nunca fui muito de crer em nada, mas, de uns tempos pra cá, ando tendendo a pensar que o “olho gordo”, o “mau olhado”, o quebranto, enfim, a INVEJA interferem sim no fluxo das nossas vidas. Disse-me um motorista de Uber semana passada que nada é capaz de nos desviar de nosso propósito, a não ser a inveja. Pah! Do nada. Essas coincidências de fala, de alguém nada a ver dizer algo que te faz todo sentido, isso costuma me influenciar também. Minha mãe sempre me disse que sou muito influenciável.

De minha fonte umbandística escuto que pode, sim, haver um trabalho que botaram pra emperrar nossa vida e eu me pergunto o que raios eu fiz a alguém para que esta criatura me queira tão mal. Eu tenho certeza absoluta de que eu nunca fiz mal a alguém a ponto de merecer ter a vida emperrada. Aliás, eu tenho certeza absoluta de que não fiz maldade, essa com a intenção de prejudicar alguém. Minha consciência segue bem tranquila. Imperfeita, sim, mas sempre bem intencionada.

Outra pergunta que ouvi da Umbanda foi se eu realmente acreditava nisso e eu, com meu ceticismo e “sincericídio”, me enrolei um pouco pra falar. É que a minha fé é nas pessoas e se as pessoas nas quais eu acredito me dizem coisas, eu tenho fé que isso vai dar certo. Não sei se vem do além, ou daqui, e nem sei se isso responde ou não ao pré-requisito. Conversando sobre a fé com uma amiga, enquanto ouvíamos a canção de Gil “Andar com fé”, ela me disse que não tinha fé, mas que tinha esperança. Achei das formas mais bonitas de se crer, na esperança. Não sei a cara que ela tem, talvez não dê pra imprimir em santinhos de missa e nem mesmo pra comprar um imagem, contudo, ela é tão viva, tão onipresente e onipotente que, sim, a Esperança ela pode ser um tipo de deusa, vai saber.

Terapia. Essa já faço há alguns anos. Nela eu acredito piamente, apesar da lentidão em entregar os resultados, mesmo eu sabendo que esses resultados só dependem de mim. Tô me sentindo como em um mal casamento, há anos numa história cheia de autos e baixos que não ata e nem desata e aí que eu tô procurando a solução fora dela, vide os primeiros parágrafos. Acho que vou ter uma DR com minha terapeuta que é pra ver se a gente resolve nosso casamento e eu paro dar minhas escapadas. Muita “sem-vergonhice”, penso, inclusive, já confessei a ela que andei transviada, mas que meu amor ainda é a Freud – principalmente – e Jung, que ela fique tranquila. 

Por fim, o Coach. Tão estigmatizado, termo já pejorativo, tão desvalorizado, mas, devo dizer em sua defesa: funciona. E olhe que a minha tendência a querer falar mal é imensa porque as receitas de sucesso me dão nos nervos, mas, devo confessar, já fiz e foi ótimo. Funciona. Inclusive as dicas pockets de organização, disciplina, etc. Dá um rumo, um empurrão, dá o tal do norte que o mapa astral também diz dar, mas eu não posso opinar, pois nunca o fiz.

A verdade é que, quando eu penso no planeta Terra ali, redondinho – sim, ainda acredito que a Terra seja redonda, e você? – e penso no tamanho dele em relação ao resto, percebo o quão insignificante são as minhas questões, bem como , fico tentando encaixar Deus dentro desse cenário que as religiões parecem desconsiderar a imensidão. Fico tentando entender como é que as constelações, que são tantas, incidem de alguma forma na minha relativamente insignificante vida diante do todo, de daqui até Plutão, mesmo sabendo que, depois de lá, continua.

Daí eu penso que somos um mero acaso, um nada que deu sorte de nascer. Daí eu penso que eu só deveria mesmo era agradecer por ter esse espaço-tempo-curto de vida e parar de pensar nessas coisas que me angustiam.

Mas aí bate o dia-a-dia, bate a condição de ser humana com todos os pepinos que a gente procura pra descascar, mesmo quando não se tem. Bate a ignorância e esse medo do porvir e bate essa angústia por simplesmente estar viva e não saber direito onde ela vai dar. Esse “não contentar-se com o piloto automático”, bate o medo de que o projeto ao qual me dediquei tanto não funcionar e aí, minha amiga, tem jeito não, é sincretismo, é mapa astral, é Umbanda, é terapia e ainda é coach.

Segura na mão de Deus e vai.

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