Os lugares do eu

eu

Oscilo dia e noite entre partes de mim que me tomam de assalto. Coragem e medo me desafiam. Coragem para ser quem eu sou, medo de mim que não sei.
Sempre tentei acreditar que nunca fora dada a excessos. Emoções pasteurizadas e calculadas, nem muito entusiasmo, nem tanta frieza. Calava-me enquanto, na verdade, eu queria abraçar o mundo dizendo o quanto ele era lindo e eu amava as pessoas… Mas não havia lugar. Um não sei quê deslocado em um lugar unido, porém sem toque. E eu sempre precisei sentir a presença, o abraço, o toque da mão, a temperatura. Acontece que pessoas assim sentem demais e sentir demais dói e a dor dói. Quem se derrama pro mundo é porque antes, bem antes, já se derramou pra dentro e cair em nossas funduras dá medo, medo de não achar o caminho de volta.
Mergulhar nas próprias funduras requer muita coragem. Coragem para encontrar a nossa sensibilidade in natura. Por vezes, parece que o poço não vai dar pé. Queda livre em emoções que se embaralham à medida em que a gente se perde no pensamento sem distrações. Lá, desse lugar tão próximo, pois em nós, mas tão distante, pois desconhecido, a água é rara e o ar é abafado, mas há vida. Feito vaga-lume iluminando intermitente e insistente onde poucos conseguem se ver. Parece muito fundo, mas é tudo dentro.
Troco as borboletas no estômago por vaga-lumes, porque o maior tesão é abraçar-se, é sentir-se, é conter-se. Eis o maior gesto de força e de coragem: querer-se apesar de si.

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